Imagem pre-carregada
Anterior
Como se proteger de crimes cibernéticos e evitar golpes online

Como se proteger de crimes cibernéticos e evitar golpes online

Levante a mão aí quem já caiu em um golpe pela internet! Se sim, saiba que 24% das pessoas que responderam a uma pesquisa do Senado Brasileiro também caíram. Incluindo este que vos escreve! A tecnologia avança e a sofisticação dos golpes também, agora com a ajuda da Inteligência Artificial. A segurança digital deixou de ser um luxo para se tornar uma obrigação.

As pessoas, de modo geral, desconhecem os perigos de sair clicando links de fontes desconhecidas, e os criminosos estão cada vez mais a um passo a frente no domínio de técnicas e tecnologias para enganar os desavisados, incluindo a tal de Engenharia Social, um nome bonito que mais parece nome de curso universitário, mas que na verdade são técnicas para enganar pessoas, prática que envolve a manipulação das vítimas, criando cenários falsos para obter informações que permitam acessar contas bancárias, redes sociais e outras informações.

Uma recente publicação sobre o assunto destacou que criminosos digitais possuem características comuns em seu modo de agir: exploram sentimentos como medo, obediência, caridade, carência afetiva e ganância. Utilizam o senso de urgência, oportunidades de ganho fácil e apelos emocionais. Costumam explorar promoções e ofertas imperdíveis, datas festivas, cancelamento de documentos, oportunidades de emprego ou negócios, débitos e pontos ou bônus prestes a expirar.

Se você trabalha no mundo digital, seus maiores ativos não são apenas seu computador ou sua câmera, mas sim os seus dados e o seu acesso. Imagine passar muitas horas editando um vídeo ou uma música e na hora da entrega ou publicação descobrir que seus arquivos foram criptografados por um criminoso, exigindo dinheiro para sua liberação, ou mesmo que seu canal foi hackeado. Se você é apenas um usuário recorrente da internet, com sites bancários ou de redes sociais, suas postagens podem torná-lo um alvo fácil de criminosos.

Aí vão algumas casos e dicas de proteção:

O golpe do falso patrocínio (Phishing)

Para quem é criador de conteúdo ou editor, este é o golpe mais comum. Você recebe um e-mail com uma proposta de parceria incrível de uma marca famosa. O e-mail pede para você baixar um PDF com o roteiro ou um software para teste.

O Perigo: Ao clicar, você instala um malware que rouba os “cookies” do seu navegador, permitindo que os hackers entrem nas suas contas sem precisar da sua senha.

Como se proteger: Desconfie de e-mails de domínios genéricos (como @gmail.com para grandes empresas) e nunca baixe arquivos executáveis (.exe) de fontes desconhecidas.

Autenticação de dois fatores (2FA): Não use SMS!

Você provavelmente já usa a verificação em duas etapas, mas sabia que o SMS é a forma menos segura? Criminosos podem fazer o “SIM Swap” (clonagem do chip).

A Solução: Utilize aplicativos de autenticação como Google Authenticator ou Microsoft Authenticator. Melhor ainda: use chaves físicas de segurança (como a YubiKey). Se o hacker não tiver o dispositivo físico, ele não entra.

A regra de ouro do backup: 3-2-1

Para um editor de vídeo, perder arquivos é o pior pesadelo. Crimes como Ransomware (onde o criminoso “sequestra” seus arquivos e pede resgate) são reais.

Siga a regra: Tenha 3 cópias dos seus dados, em 2 tipos de armazenamento diferentes (ex: HD externo e Nuvem), com 1 cópia fora do seu local de trabalho (nuvem ou outro endereço físico).

Atenção ao “Deepfake” e IA em golpes

A mesma IA que usamos para criar conteúdos incríveis está sendo usada para o mal. Já existem casos de criminosos que clonam a voz de clientes ou chefes para pedir transferências urgentes ou senhas por WhatsApp.

Como se proteger: Combine uma “palavra-chave” de segurança com sua equipe ou família para confirmar identidades em pedidos suspeitos de dinheiro ou acesso.

Gerenciadores de senhas

Usar a mesma senha para o Adobe Creative Cloud, seu e-mail e seu banco é um convite ao desastre.

A Solução: Use gerenciadores como LastPass ou 1Password. Eles criam senhas complexas e únicas para cada site e você só precisa decorar uma.

Não existe sistema 100% seguro, mas existe usuário descuidado. No mundo da produção audiovisual e da IA, a sua credibilidade e a segurança dos dados do seu cliente são o seu maior selo de profissionalismo. Para um usuário “normal” da internet os riscos não são menores e todo cuidado é pouco.

DICAS DO MANUAL DO SEBRAE SOBRE SEGURANÇA CIBERNÉTICA

  • Nunca compartilhe senhas, códigos, informações bancárias e pessoais por mensagem ou ligação;
  • Quando tiver que compartilhar informações por telefone ou mensagem, confira a autenticidade de quem está entrando em contato com você, que não é uma tarefa fácil nos dias de hoje, ainda mais com o uso crescente da inteligência artificial (ex.: estabeleça uma palavra-chave ou entre em contato por outro meio com o solicitante);
  • Mantenha os seus equipamentos atualizados para proteção contra vulnerabilidades de segurança;
  •  Sempre que for realizar um pagamento ou transferência de valores, certifique-se de que os dados bancários do destinatário realmente são do legítimo beneficiário e não de terceiros;
  • Mantenha a sua webcam fechada quando não estiver utilizando;
  • Não use redes de Wi-Fi públicas;
  • Os criminosos utilizam técnicas para ofuscar o link malicioso. Para verificar a legitimidade do link, passe o cursor do mouse sobre ele para ver o real endereço. Você também pode utilizar o verificador de URL do Google. Para copiar um link com segurança, clique com o botão direito do mouse e escolha “copiar” nas opções que aparecem.

Ao copiar o link, fique atento para não clicar nele acidentalmente;

  • Qualquer extensão pode ser utilizada pelos criminosos, mas fique particularmente atento com os arquivos com extensões “,exe”, “.zip” e “.scr”, pois são os mais utilizados;
  • Mantenha o seu cartão de crédito bloqueado para contas digitais e desbloqueie apenas no momento que for realizar a compra (isso pode ser feito diretamente no seu aplicativo);
  • Somente instale aplicativos e softwares oficiais;

Cláudio Ferigoli

Jornalista e cientista social, atua na análise crítica de comunicação, cultura e processos criativos. No CoreClass, escreve sobre bastidores da produção intelectual, ética editorial e o impacto das decisões narrativas no trabalho profissional.

Deixe uma resposta